VISÃO E ATUAÇÃO – 20 MESES NO CONSELHO DELIBERATIVO

Tendo-se encerrado o período das eleições para a renovação dos conselhos deliberativo e fiscal da PETROS, há uma semana, mais do nunca as atenções dos participantes dos planos administrados pela Petros estão voltadas para o dia-a-dia de trabalho da Fundação.

Esse ano, tivemos a oportunidade de assistir ao processo eleitoral na condição de eleitores e espectadores e dele tiramos algumas importantes lições. Infelizmente, o passado recente que nos levou ao equacionamento de um déficit da ordem de R$ 33,6 bilhões, faz com que a nossa confiança e credibilidade na gestão da Petros seja muito baixa e o tema TRANSPARÊNCIA transborde com a força da desconfiança dos participantes e assistidos no sentido de que algo de errado continua a acontecer nos bastidores da Fundação.

A Resolução Nº 32, de 04 de dezembro de 2019 colocada em prática pela PETROS a partir de janeiro deste ano, trouxe uma série de dispositivos a serem implantados para dar aos participantes e assistidos as informações de caráter previdenciário necessárias ao acompanhamento da gestão dos planos sob sua administração, tais como os extratos das atas das reuniões do conselho deliberativo e do conselho fiscal, ressalvado o dever de sigilo legal, dentre outras informações relevantes e passíveis de divulgação.

Desde a nossa posse, em novembro de 2019, tomamos decisões pautadas pelos interesses dos participantes e assistidos, sendo que apenas em 04 (quatro) oportunidades votamos contra o que estava sendo proposto ao colegiado: na aprovação do PP-3 (duas vezes), na mudança de sede da Petros e na aprovação da Política de Comunicação. Sobre os votos no PP-3, nossas motivações já foram abordadas aqui nesse blog. No caso da mudança de sede nosso entendimento foi de que, mesmo podendo representar algum ganho no médio ou longo prazo para a Petros, o momento era totalmente inoportuno. Por fim, no que tange a Política de Comunicação, nosso voto contrário se deu pelo fato de que ela nos impõe limitações ao citar, dentre outras, que o Público Interno (conselheiros, diretores, empregados e estagiários) não poderão divulgar informações que não sejam tornadas públicas pela Petros, sem sua prévia autorização.

Devido a esta limitação, temos sido enfáticos com a Diretoria Executiva cobrando a divulgação dos temas relevantes e de interesse dos participantes com a maior brevidade possível e, por óbvio, que não abordem temas estratégicos para a Fundação. Entretanto, temos que admitir, apesar da velocidade dessa divulgação ainda não atender aos nossos anseios, isso não guarda qualquer relação com o fato de que existe algo a ser escondido dos participantes.

Apesar de alguns terem o direito de não concordar com a nossa posição de que cabe à PETROS manter um canal ativo de comunicação com os participantes e assistidos, temos a convicção de que o nosso campo de batalha se dá no âmbito do colegiado do Conselho Deliberativo da Petros.

Todavia, isso não significa que deixaremos de tomar providências externas diante de qualquer irregularidade detectada.

Outro ponto que achamos ser relevante comentar é que o clima de clássico regional ao estilo do FLA x FLU, que acontece num processo eleitoral, é muito distante daquele que vivenciamos no dia-a-dia da atuação dos conselheiros e nem poderia ser diferente. O espírito que deve prevalecer é o de construção de pontes ao invés de muros, visto que TODOS, independentemente dos apoios recebidos durante o processo eleitoral, devem atuar no estrito dever de ter a Petros e, portanto, seus participantes e assistidos, em primeiro e único lugar.

É importante salientar que a Governança da Petros tem evoluído muito nos últimos anos, fazendo com que os atos praticados por seus dirigentes estejam de acordo com as normas legais e que possam ser monitorados. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas estamos dando passos largos na consolidação de um modelo de gestão perene onde a transparência, responsabilidade, integridade e prestação de contas não estejam ao sabor dos governantes de plantão.

Infelizmente, ainda estamos a colher os frutos de uma má-gestão. Hoje, a Petros tem que conviver e atuar em fatos passados, até pelo dever de fidúcia de seus administradores. Contudo, não podemos deixar de olhar para o horizonte que se descortina à frente e, nesse sentido, a revisão do Planejamento Estratégico, que está em curso nesse momento, é exaustivamente cobrada por nós.

Importante ainda registrar alguns temas que estão no nosso radar e sendo tratados muito de perto, dentre eles:

  1. a ausência de reajuste do benefício dos NRs/RGs e do teto de contribuição, ambos desde 2019;
  2. a diferença das alíquotas de contribuições normais (11% e 14,9%);
  3. a implantação efetiva do PP-3;
  4. a proposta do plano FlexPrev para empregados da BR Distribuidora e
  5. a situação do Plano Ultrafértil.

Além desses temas, o monitoramento contínuo da Gestão Orçamentária e das Comissões Internas de Apuração relativa aos investimentos passados, as quais têm previsão de conclusão para junho/2022, são objetos que têm merecido nossa especial atenção.

Temos plena consciência de que a imagem da Petros só mudará quando conseguirmos, de alguma maneira, reverter a situação das contribuições extraordinárias. Isso só se dará mediante o atingimento de superávits nos investimentos, como têm acontecido desde 2019, e de eventuais vitórias na justiça.

Por fim, podemos afirmar, com toda a convicção, que alicerçados por nossa constância de propósitos em colocar a PETROS no topo das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, com trabalho, dedicação e força de vontade, ao final de nosso mandato, em novembro/2023, deixaremos como legado uma Petros muito melhor do que encontramos, em novembro de 2019.

Fiquem todos em paz e forte abraço,

José Roberto e Herval

Explicando melhor o que são as taxas de carregamento e de administração

Um bom exemplo para nos ajudar a entender….

Sem a necessidade de identificarmos a fonte da discussão, é possível exemplificar, substancialmente, o desconhecimento que a maioria de nós demonstra dos assuntos relacionados à previdência seja ela privada ou pública. Então, porque o nosso participante entende que “vem mais arrocho por aí!“? Talvez não exista uma resposta certa para esta pergunta, mas um conjunto de fatores que nos levam a desconfiar de tudo e de todos, potencializado pelo cenário político, atual e passado, e pelo sentimento de traição em relação àqueles que elegemos para cuidar do nosso futuro, enquanto fazíamos a nossa parte do contrato: trabalhando para fazer da Petrobras a maior empresa do Brasil e da Petros o segundo maior Fundo de Pensão da América Latina. Por isso é que hoje agimos como “cachorros mordidos por cobra“: temos medo até de linguiças…….

Segundo o Relatório Anual de 2020, divulgado recentemente pela Petros, a TAXA DE CARREGAMENTO “incide mensalmente sobre o valor das contribuições feitas ao plano de previdência. Ou seja, ela não é cobrada sobre os rendimentos, mas, sim, sobre os valores aportados todo mês no plano como forma de contribuição”. É importante salientar que esta forma de cobrança do custeio administrativo de um plano atinge a todos os atores, ou seja, participantes, assistidos, patrocinadoras e instituidores. Além dos planos de benefícios, a Petros também possui um Plano de Gestão Administrativa (PGA), que tem a finalidade de registrar as atividades referentes à gestão administrativa da Fundação, constituído na forma da legislação e do seu regulamento, aprovado pelo Conselho Deliberativo. A Resolução CGPC nº 29, de 31 de agosto de 2009, define a TAXA DE CARREGAMENTO como o “percentual incidente sobre a soma das contribuições e dos benefícios dos planos”.

Vamos então descomplicar tudo isso?

Começando pelo termo FONTE DE CUSTEIO. O que significa isso?

A fonte significa a origem dos recursos, ou seja, de onde vamos tirar o dinheiro para pagar ou custear as despesas administrativas dos planos. Ficou claro, agora? Eu acho que ainda não, porque precisamos identificar essas fontes ou origens. Quando se fala de GESTÃO PREVIDENCIAL nos referimos a um conjunto de situações que envolvem patrocinadores, instituidores, participantes, auto patrocinados, BPD, aposentadorias, pensões, auxílios, pecúlios…e para tudo isso funcionar direito é preciso fazer uma boa GESTÃO ADMINISTRATIVA e é disso que estamos falando quando discutimos receitas e despesas bem administradas para que haja um funcionamento eficiente da fundação, reduzindo gastos com pessoal, encargos, sistema de TI, treinamentos, viagens, etc…E para tanto, de qual conta do ATIVO nós vamos retirar o nosso dinheiro que está alocado ou contabilizado para fazer frente a essas despesas?

De acordo com o artigo 3º da Resolução CGPC nº 29/2009, constituem fontes de custeio para cobertura das despesas administrativas dos Planos de Benefícios operados pela Petros:
I – Contribuição dos participantes e assistidos;
II – Contribuição dos patrocinadores e instituidores;
III – Reembolso dos patrocinadores e instituidores;
IV – Resultado dos investimentos;
V – Receitas administrativas;
VI – Fundo administrativo;
VII – Dotação inicial; e
VIII – Doações.

As fontes em negrito são os recursos oriundos dos PLANOS DE BENEFÍCIOS.

E quem define essa fonte?

Resposta: Cabe ao Conselho Deliberativo (CD) – inciso VI do artigo 26, Estatuto Social da Petros ou outra instância estatutária competente, definir as fontes de custeio, observados os regulamentos dos Planos de Benefícios, por ocasião da aprovação do orçamento anual, as quais deverão estar expressamente previstas no plano de custeio.

Se o CD definir que é a TAXA DE CARREGAMENTO, serão utilizadas as seguintes contas e incidirá o percentual, por exemplo, de 4%, incidente sobre a soma das contribuições do pessoal da ativa e dos benefícios pago aos aposentados dos planos no exercício a que se referir.

CONTRIBUIÇÕES
Contribuições do Patrocinador
Contribuições dos Participantes
Contribuições dos Autopatrocinados
Contribuições dos Participantes em BPD

BENEFÍCIOS
Benefícios de Prestação Continuada
Benefícios de Prestação Única

Se o CD definir que é a TAXA DE ADMINISTRAÇÃO, será aplicado um percentual incidente sobre o montante dos recursos garantidores dos planos de benefícios no último dia do exercício a que se referir, por exemplo, de 0,25% ao ano para o PP-2, e serão utilizadas as seguintes contas:

ATIVO (adições)
Disponível
Ativo Realizável dos Investimentos

PASSIVO (subtrações)
2.1.3 – Passivo Exigível Operacional dos Investimentos
2.2.3 – Passível Exigível Contingencial dos Investimentos

______________________________________________________________
=> RECURSOS GARANTIDORES DOS PLANOS DE BENEFÍCIOS

RESOLUÇÃO CMN Nº 4.661/2018 (CONCEITO DE RECURSOS GARANTIDORES)
Art. 2º O disposto nesta Resolução se aplica aos recursos dos planos administrados pela EFPC, formados pelos ativos disponíveis e de investimentos, deduzidos de suas correspondentes exigibilidades, não computados os valores referentes a dívidas contratadas com os patrocinadores.”

Quais são os limites da TAXA DE CARREGAMENTO e da TAXA DE ADMINISTRAÇÃO, então?

De acordo com o artigo 6º da Resolução CGPC nº 29/2009, “O limite anual de recursos destinados pelo conjunto dos planos de benefícios executados pela EFPC de que trata a Lei Complementar nº 108, de 2001, para o plano de gestão administrativa, observado o custeio pelo patrocinador, participantes e assistidos, é um entre os seguintes:
I – taxa de administração de até 1% (um por cento); ou
II – taxa de carregamento de até 9% (nove por cento).
O Conselho Deliberativo da EFPC deve estabelecer o limite
“.

Quando as despesas são maiores que as receitas os planos, obrigatoriamente, são cobertas por um Fundo Administrativo, já citado como sendo uma das fontes de custeio pela Resolução CGPC nº 29/2009, que vêm a ser os recursos originários do custeio administrativo, arrecadados e não utilizados, que são capitalizados e acumulados para fazer frente às necessidades administrativas futuras dos planos.

HISTÓRICO

Em junho de 2011, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC, por meio do Ofício nº 2635/2011/CGMC/DIACE/PREVIC, determinou que a Fundação procedesse alterações em seu modo de registro contábil, de forma que o registro da participação no Fundo Administrativo fosse segregado por Plano de Benefícios. A Petros então iniciou um processo de revisão do Modelo de Apuração dos Gastos Administrativos, contando com o apoio da consultoria PricewaterhouseCoopers, atual PwC , para dar o suporte metodológico. Até então o modelo adotado fazia a gestão do Fundo Administrativo de maneira solidária e mutualista entre os Planos de Benefícios. Naquela ocasião, a consultoria recomendou a manutenção do modelo até então adotado, sugerindo que fossem incluídas novas regras conceituais e uma maior estrutura de critérios de apropriação e rateio aos Planos de Benefícios. O resultado da revisão demonstrou que parte dos Planos de Benefícios estava com o custeio administrativo desequilibrado, ou seja, as receitas administrativas obtidas por esses planos não eram suficientes aos gastos administrativos destinados a eles. Por conseguinte, a Petros passou a realizar revisões periódicas dos critérios de rateio e vem adotando uma série de medidas para corrigir o desequilíbrio administrativo, seja por meio da revisão do custeio administrativo dos Planos de Benefícios ou por meio de processos de transferências de gestão ou, em última análise, com a retirada de patrocínio. Desde o recebimento do Ofício supracitado, a Petros vem buscando alternativas para resolver equilíbrio do custeio administrativo dos Planos de Benefícios por ela administrados. Nesse sentido, foi celebrado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que consiste num um acordo celebrado entre as partes interessadas com o objetivo de proteger direitos de caráter transindividual. O extrato publicado no DOU, em 08/02/2019, pode ser consultado neste link. Em linhas gerais, a Fundação se comprometeu a sanar as condutas de subfinanciamento do custeio administrativo, ou seja, cobrar dos planos o capital necessário para custear as despesas destes, bem como a recomposição patrimonial do Plano de Gestão Administrativa (PGA), no prazo máximo de 12 (doze) anos contados a partir da publicação do TAC no DOU.

Mas na prática, como tudo isso funciona?

Vamos dar um exemplo?

Se as despesas mensais para manter a estrutura administrativa de TODOS os planos de benefícios que a Petros administra estiverem em R$ 20.000.000,00 (vinte milhões) mensais, isso significa que a Petros gastará R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões) no ano. Frente as despesas da gestão previdencial, de investimentos e administrativas de cada plano, faz-se necessário apontar quais serão as fontes de receitas previdenciárias, de investimentos e administrativas , de cada plano, para a verificação do seu equilíbrio financeiro e qual o consumo do plano em relação ao seu fundo administrativo. Ressalte-se que as despesas específicas de cada plano, tais como aquelas provenientes de processos jurídicos, pertencem ao passivo de cada plano. É importante salientar que a fundação vem aperfeiçoando sua metodologia de alocação dos custos administrativos com base nas mudanças de critérios contábeis e na legislação vigente. Para fazer as cobranças devidas, foi necessária a alteração em diversos regulamentos e convênios de adesão, os quais traziam uma taxa de carregamento fixa.

Ao lado disso, nosso foco de atuação é na redução das despesas administrativas, ajustes pontuais no custeio administrativo e a busca por novas receitas administrativas, como por exemplo, através das taxas dos empréstimos feitos aos participantes ou a mais recentemente advinda da venda da folha de pagamentos da Petros.

Para não tornar esse post cansativo e extenso, mais do que já está, queremos dizer que nos colocamos de forma empática no lugar do colega anônimo que nos inspirou a fazer alguns pequenos esclarecimentos, sem a pretensão de esgotar a compreensão do debate ou entendimento.

Afirmamos que NÃO HÁ NENHUM ARROCHO com a implementação da cobrança da taxa de administração em substituição à taxa de carregamento e nem mesmo se fosse adotado o sistema híbrido, ou seja, taxa de carregamento mais taxa de administração. Em agosto de 2002, a Petros promoveu o fechamento dos planos de benefício definido, depois de 32 anos da sua criação e até março de 2021 adotou a taxa de carregamento como forma de custear esse tipo de plano. Atualmente, sabemos todos, 90% dos seus participantes estão na fase de concessão ou recebimento dos benefícios. Dizemos que o plano está em fase de madureza e sem entrada de novos integrantes. Por conseguinte, utilizar-se da taxa de administração é a forma mais eficiente de administrar as necessidades advindas do equilíbrio do custeio administrativo para um bom funcionamento desse tipo de plano. Ao contrário disso, quando um plano de benefício definido está em fase de constituição e acumulação de reservas a cobrança da taxa de carregamento se mostra adequada.

Todos podem verificar que os valores cobrados nos contracheques da Petros e discriminados como “contribuição normal” não sofreram qualquer reajuste, desde o início do ano.

O que mudou, reitero, é a utilização da fonte de custeio. Por exemplo, se a sua contribuição normal mensal é no valor de R$ 1.000,00, mensalmente, a taxa de carregamento “retirava” ou se apropriava de 4% ou R$ 40,00 para cobrir as despesas administrativas do seu plano. O saldo de R$ 960,00 é somado ao patrimônio do respectivo fundo para ser investido. O mesmo se dá com os valores pagos pela Petrobras: R$ 40,00 para custeio administrativo e R$ 960,00 para investimentos.

A partir de abril de 2021, com a cobrança da taxa de administração, sendo você um repactuado do PPSP, a taxa anual é 0,21% ou o equivalente a 0,0175% ao mês dos recursos garantidores. Se esses recursos garantidores estiverem projetados, mensalmente, em torno R$ 45 bilhões, isso significaria uma receita para o custeio administrativo em torno de R$ 7,9 milhões por mês (R$ 45 bilhões x 0,21% = R$ 94,5 milhões ao ano divididos por 12 meses = R$ 7.875.000,00 ou R$ 7,9 milhões). Essa mudança permitirá mais recursos para os investimentos, porque ao invés de aplicarmos, por exemplo, os R$ 960,00 que sobram após a retirada da taxa de carregamento, vamos poder aplicar todo o valor da contribuição do participante na geração de caixa em investimentos, ou seja, os R$ 1.000,00. Nós somos investidores-participantes dos recursos aportados aos planos e qualquer um de nós sabe que é cobrada uma taxa de administração para que seja feita uma gestão eficiente e ativa dos investimentos.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”…..

Sim, nós estamos sendo arrochados, principalmente com a cobrança de despesas com o plano de saúde, mas esse não é um assunto a ser resolvido diretamente pelos conselhos da Petros, apesar de nos atingir no bolso e nos contracheques. O plano de saúde é da Petrobras e não da Petros e o aumento da Margem de Consignação (cláusula 34, parágrafo 1º, do ACT 2020-2022) das despesas com saúde foi fruto de negociações no último Acordo Coletivo da Petrobras com as entidades sindicais. Não estamos insensíveis ao problema que também atinge a quem está ocupando o cargo temporário de conselheiro. Alguns esquecem que não somos “conselheiros independentes” da relação trabalhista com a Petrobras, sejamos ativos ou aposentados.

Na condição de conselheiro deliberativo da Petros, lutarei até o fim do meu mandato, que se encerrará em 25/11/2023, juntamente com o José Roberto Kaschel Vieira e os demais conselheiros eleitos, para mudar os rumos da Petros, tornando-a mais transparente nos seus atos de gestão, buscando a melhoria da sua comunicação com os participantes e resgatando uma imagem corrompida por vícios acumulados ao longo de décadas de mau uso do nosso patrimônio acumulado ao longo de quase 51 anos de existência.

Antes da assinatura do novo PED, em maio de 2020, eu descontava 19% apenas com o PED 2015 e chegaria a 25%, em 2020, caso não fosse construída uma alternativa entre a Diretoria Executiva da Petros e as entidades sindicais que nos representam, permitindo que se somasse os déficits de 2015 e 2018.

Hoje, particularmente, estou pagando 12,05% de alíquota única, o que representa menos da metade do valor que poderia vigorar há um ano atrás. Sabemos que houve perdas e elas foram inevitáveis para a solução imediata do problema. Ao meu ver, nós ganhamos folego para resolver um problema que não demos causa. Eu acredito e estamos trabalhando no sentido de que, até 2023, iremos reduzir e tentar eliminar essa alíquota de cobrança dos Planos de Equacionamento de 2015 e 2018.

Fomos eleitos quando quase ninguém acreditava em nós e vamos juntos soerguer a Petros.

Encontro com o presidente da Petros

Diante das propostas de mudança na Petros, os beneficiários buscam se mobilizar para acompanhar, compreender e, dentro do possível, direcionar as referidas mudanças de forma a proteger a categoria e fortalecer a instituição. Imbuídos desse propósito, administradores de 05 (cinco) grupos representativos dos participantes da Petros nas redes sociais, reuniram-se de forma virtual (on-line) com o presidente da Petros, Bruno Dias, 04 (quatro) dos seus gerentes executivos e a assessora de comunicação, no dia 11 de fevereiro de 2021.

Participantes:

Equipe Petros

Bruno DiasPresidência

Akira MikiGerência Atuarial e de Desenvolvimento de Planos

Antônia TavaresAssessoria de Comunicação

Danielle MaikoGerência de Arrecadação e Pagamento de Benefícios

Eduardo Tavares PereiraGerência Jurídica e de Compliance

Tatiana AmbrósioGerência de Relacionamento com Participantes, Patrocinadores e Instituidores


Grupos e Conselheiros

Claudecir Flores (Curitiba/PR – Nosso Futuro)

Cyro Costa Júnior (Campinas/SP – Ambep Campinas)

Giampaolo Foschini Di Donato (São José dos Campos/SP – Petros e Previdência)

Herval Candido de Souza Filho (Curitiba/PR – Conselheiro Petros)

Ismar Simões dos Santos (Campinas/SP – Ambep Campinas)

João Cláudio Conceição (Rio de Janeiro/RJ – Nossa Petros

João de Deus Souto Filho (Natal/RN – Nossa Petros)

José Geraldo Berardo Campos (Campinas/SP- Ambep Campinas)

José Roberto Kaschel Vieira (Campinas/SP – Conselheiro Petros)

Lairton Correa de Souza (São José dos Campos/SP – Petros e Previdência)

Paulo Celso de Resende (São José dos Campos/SP – Petros e Previdência)

Pedro Benedito Santana (São José dos Campos/SP – Petros e Previdência)

Sérgio Luciano Freire (Salvador/BA – Nossa Petros)

Vanderlei Cardoso (Campinas/SP – REPLAN – Petros, AMS, BF)


Onze tópicos foram abordados com Bruno e sua equipe, através de perguntas selecionadas pelos grupos envolvidos na reunião. Relatamos apenas as respostas dadas pelo presidente e seus gerentes e não todos os debates.

1) No regulamento da Petros (NR) existe apenas um índice de reajuste, a Tabela Salarial, o qual é celebrado no ACT. Por que então os NRs RGs não estão recebendo estes reajustes? Como ficarão os reajustes até agora não recebidos? Há alguma expectativa da Petros rever esse posicionamento?

R: Quanto ao reajuste dos RGs, a Petros fez um estudo jurídico aprofundado e isento, inclusive com consultoria externa, e os estudos concluíram que a conduta da Petros em NÃO dar o reajuste, foi a mais correta e legal. Explicou que o assunto foi judicializado e que Petros irá se manifestar nos autos do processo. Adiantou que a Petros estuda uma alteração de regulamento, com implementação prevista para abril/maio, por conta de exigências feitas pela PREVIC. Dessa forma, a falta de reajuste perduraria apenas este ano. Assim, esse assunto estaria resolvido para o futuro.

2) A Petros, comprometeu-se em disponibilizar para os participantes o extrato de pagamento das parcelas em atraso referente ao PED 2015 e ainda não o fez. Quando isso será implementado?

R: Esse compromisso existe e desculpou-se pelo não cumprimento, mas devido a dificuldades operacionais espera que esse compromisso seja cumprido em abril. Destacou que o atraso ocorreu devido a sistemas operacionais que estavam desatualizados.

3) Quais as dívidas que a Petros está demandando na justiça contra as patrocinadoras e quais as já assumidas por elas para com o PPSP?

R: Bruno solicitou ao GE Eduardo para listar as dívidas destacando que as informações podem ser divulgadas, bastando para isto que os participantes se dirijam aos canais de relacionamento da Petros. Informou que foi feito um levantamento de todas as dívidas e um estudo técnico sobre a viabilidade de cada uma delas. Todas as dívidas tecnicamente viáveis foram judicializadas. Bruno solicitou que se alguém souber de algum fato gerador que possa beneficiar a Petros deve comunicar a instituição. Após análise técnica, a sugestão pode ou não ser judicializada. “Não temos problemas ou constrangimentos de entrar com ações contra quem quer que seja”, destacou.

Ações contra a Petrobras:

RMNR – Valor da causa R$ 380 milhões.

Reintegrados – Valor da causa cerca de R$ 9 milhões

Solidariedade – Valor da causa R$ 500 milhões

Paritários – valor da causa R$ 85 milhões.

Ações contra a BR Distribuidora:

RRNR – Valor da causa aproximadamente R$ 78 milhões.

Solidariedade – Valor da causa aproximadamente R$ 40 milhões – (fase final de preparação para ser ajuizada).

Bruno destacou, ainda, as arbitragens (que já haviam saído na mídia) e ações contra a Petros que, segundo entendimento do STJ, devam ser divididas paritariamente entre a instituição e a patrocinador

4) Em relação às Comissões Internas de Apuração como estão sendo conduzidas? Qual o resultado prático delas, quantos processos foram instaurados? A solicitação da Petros foi aceita em participar como assistente de acusação do Ministério Público Federal? Em que processos? Com o desmantelamento da “Operação Greenfield” estes processos estão sendo prejudicados? A Petros não poderia dar visibilidade a essas ações, respeitadas as questões estratégicas envolvidas?

R: Logo após ter assumido, a Petros contratou a Deloitte para estruturar sua área de investigação interna e após uma concorrência que participaram grandes empresas de consultoria, a Grant Thornton foi vencedora para conduzir as investigações internas e um escritório de advocacia para dar o parecer jurídico avaliando a possibilidade de uma ação judicial.

Eduardo explicou que a Petros tem 18 ações que abrangem o tema “improbidade administrativa” sendo conduzidas como assistente de acusação do MPF ou ajuizamento de ações próprias. Informou que os detalhes das ações que não correm sobre segredo de justiça podem ser obtidos através dos canais de atendimento da Petros.

Bruno destacou que “só em 2020 a Petros havia entrado com mais ações que em toda sua existência”! Infelizmente o tempo da justiça é demorado e sem condenações nada se pode fazer.

Eduardo explicou também que quando concluída uma investigação interna com o respectivo parecer jurídico a Petros avalia se o MPF já tem alguma ação penal ou de improbidade administrativa em andamento. Caso positivo a Petros pleiteia ser aceita como assistente de acusação no processo. Isto acarreta vantagens econômicas e investigativas para a Petros, inclusive se livrando de um possível custo de sucumbência.

Bruno afirmou que em relação aos processos junto à operação Greenfield, caso estejam sendo postergados ou paralisados, a Petros após uma avaliação jurídica/econômica poderá dar andamento por sua própria conta, arcando com os custos do processo e de uma possível sucumbência.

5) A ação popular impetrada por participantes Petros visando responsabilizar a Petrobras pelo Acordo de Níveis, teve uma contestação pela Petros que mais parecia um advogado da ré Petrobras do que um escritório em defesa dos nossos interesses. O que aconteceu neste episódio? Não caberia à Petros cobrar estes valores conforme orientação dada por parecer jurídico deste mesmo escritório contratado pela Petros em 2014? O Art. 48 Inciso IX não garantiria esse direito, tendo em vista que o mesmo visa resguardar o PPSP de reajustes salariais das Patrocinadoras?

R. Existem muitas confusões sobre esta ação popular. Um dos pontos é a notícia veiculada pelo jornal O Globo, dando a entender que a Petros havia se negado a receber R$ 2,9 bilhões. Destaco que a Petros não se negou e não se negará a receber qualquer dinheiro; ainda mais um dinheiro determinado pela justiça. Bruno prosseguiu informando que, até o presente momento, não houve qualquer decisão da justiça dando ganho de causa a Petros. O processo ainda está em andamento. Bruno destacou que o papel do jurídico da Petros é analisar a legalidade dos atos e ajuizar aqueles que forem ilegais. No caso da aprovação do CD, foi um ato tecnicamente correto e, neste caso, o jurídico não encontrou ilegalidade. Contudo, se no final da ação a Petrobras tiver que pagar a Petros, esse recurso será aceito de bom grado.

Em relação ao parecer jurídico de 2014, muita coisa mudou em função de interpretação e jurisprudência da paridade contributiva, daí ter hoje um entendimento diferente.

Com relação ao artigo 48, existem várias leituras, mas a interpretação dada pelos órgãos de fiscalização PREVIC, TCU, SEST, e a mais aceita atualmente na justiça (STJ), é a da paridade contributiva.

Eduardo explicou que ainda há o agravante da Emenda Constitucional 20/98, que estipulou um prazo de dois anos para que os fundos contingenciassem alguma demanda neste sentido.

6) Como a Petros entende a condicionante da PREVIC, por ocasião da aprovação da NPP em retirar o inciso IX do Artigo 48 do Plano Petros? Como será conduzido este assunto a fim de não tumultuar mais ainda o nosso já conturbado ambiente? Quais as consequências para os participantes com uma possível retirada deste inciso?

R: Bruno explicou que a Petros deverá cumprir a determinação da PREVIC que é o órgão fiscalizador. “Pelo menos essa será a proposta da diretoria ao Conselho Deliberativo…”. Destacou que existem informações de que algumas entidades pretendem entrar na justiça contra essa decisão e que caso algum juiz entenda que não se deva cumprir a determinação da PREVIC, será cumprida a determinação judicial.

Em termos de impacto para os participantes, Bruno entende que aqueles que acreditam que o artigo 48 dá abertura para um pagamento de 100% por parte da patrocinadora ficarão sem esse “elemento” daqui para a frente. Mesmo assim poderão argumentar que os fatos geradores ocorreram no tempo em que o artigo 48 existia.

7) A Petros em conjunto com a ABRAPP não poderia buscar junto ao Congresso Nacional e CNPC a reversão do entendimento da Receita Federal de que as contribuições extraordinárias instituídas em razão de déficit identificado em plano previdenciário não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física?

R: Bruno entende que o pleito é justo e não concorda com este entendimento da Receita Federal. A Petros já pensou em entrar com ação contra isso, mas as avaliações jurídicas mostram que a entidade não tem legitimidade ativa para isto. Quem tem esta legitimidade são os sindicatos e as associações. Segundo ele, algumas entidades representativas já tiveram algum sucesso nessas ações. Caso haja necessidade a Petros poderá disponibilizar apoio do ponto de vista técnico.

8)  Em relação ao CNPC 32; a Petros considera que está atendendo a todos os seus requisitos ou está se estruturando para tal? Nesse caso, quando estará apta a atender esses requisitos em sua plenitude? A Petros não daria um grande passo divulgando as origens dos déficits de 2015 e 2018?

R. A Resolução CNPC 32 determinou uma série de medidas de transparência. Bruno considera que a Petros está atendendo as determinações desta Resolução, tanto é que não há queixas nos canais de relacionamento em relação a isto e pede para ser comunicado caso haja qualquer aspecto que coloque em dúvida esse atendimento. Questionado sobre o detalhamento das atas de reunião do CD e CF argumentou que são decisões dos conselhos o que pode ser divulgado. Em relação aos contratos onde só existe o nome das empresas contratadas argumentou que a colocação de valores poderia causar problemas entre a Petros e as empresas contratadas. Porém analisará a possibilidade de divulgar o escopo e qual a gerência do contrato.

Questionado em relação aos valores da Família Real que constam da composição do déficit, valores estes estabelecidos antes do recadastramento. Solicitou ao Akira que levantasse estes dados para informar a diferença de valores que existiram.

Bruno considera que há informações divulgadas em relação às causas do déficit, porém entende que os participantes desejam informações mais detalhadas, destacando que não vê problema em fazer uma apresentação sobre o assunto em uma próxima Live.

9) A Petros, em seus estatutos, apresenta o voto de qualidade no Conselho Deliberativo que é constituído por três conselheiros indicados pela patrocinadora e três eleitos pelos participantes. Portanto, sempre imperará decisões que representarão o desejo da patrocinadora em detrimento dos participantes. O que fazermos para termos uma gestão um pouco mais democrática, pois quando há déficit somos chamados a pagar esta conta?

R: Estas questões estão estabelecidas na Lei Complementar 108 artigos 10 e 11, não sendo uma particularidade da Petros. No Conselho Fiscal já é o inverso, cabe o voto de qualidade ao Presidente, que é um conselheiro eleito. Ao seu ver entende que embora haja divergência de ideias entre os conselheiros, os debates sempre visaram um entendimento buscando o melhor resultado para a Fundação.

10) O PP3, sabidamente, não é interessante para a Petros, nem para o PPSP e nem para assistidos que porventura migrarem. Por que então lançar um plano que pode prejudicar o mutualismo de um plano existente e perder para o mercado alguns bilhões que porventura acontecerá? O que ganha a Petros com isto?

R: O plano tem que ser neutro; não pode ser bom nem ruim. Regra básica da PREVIC. Quando a pessoa migra, leva sua reserva e os passivos. Ele não prejudica o mutualismo nem a paridade. Ele não impacta o plano de origem. Para Bruno, é um direito da empresa oferecer um plano CD, desde que não fira direitos adquiridos. Bruno informou que as informações sobre a migração serão disponibilizadas no início de março.   

11) Qual a visão de futuro da Petros, considerando um cenário em que as empresas de petróleo terão menor importância econômica, estatais sujeitas a ingerência política e quando privatizadas, com uma possível redução de interesse em continuar na Petros, redução de patrimônio e concorrência com fundos de previdência privados? Há perspectivas de crescimento para a Petros?

R: A primeira coisa que tínhamos a fazer, para depois pensar no futuro, era encarar nossos problemas atuais. Muitas coisas foram resolvidas e formamos uma equipe com muita competência. Os resultados estão aparecendo e a nossa expectativa é de que, a partir de 2021, a Petros entre em um “ciclo virtuoso” de rendimentos que refletirá futuramente na redução das contribuições extraordinárias. Buscamos ter uma governança muito sólida e sermos reconhecidos por essa governança. Em algum momento teremos que pensar em novas empresas, novas patrocinadoras. Vamos nos preparar para isto.

Autor da Ata: Pedro Benedito Santana (São José dos Campos/SP – Petros e Previdência)

Em tempo: Os conselheiros participaram dessa reunião apenas na condição de ouvintes e viabilizadores do referido encontro.


Conselho Deliberativo aprova ajustes no PP-3

Conforme é de amplo conhecimento, após aprovação do PP-3 pelo Conselho Deliberativo da Petros, em 02/09/2020, e seguindo os trâmites legais, foi submetido ao Conselho de Administração da Petrobras (CA) e aos órgãos reguladores das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, a saber: SEST e PREVIC.

Em 23/12/2020, a Petros divulgou em seu Portal a seguinte notícia, a seguir, transcrita:

“O PP-3 passou por análise da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão fiscalizador do setor, que solicitou alguns ajustes. As alterações estão sendo tratadas e serão submetidas a deliberação na Petros e na Petrobras, seguindo os trâmites de governança. Assim, a expectativa de aprovação do plano de contribuição definida pela Previc passou para fevereiro de 2021. Já o início de operacionalização está previsto para o segundo trimestre do ano que vem. A Petros seguirá comunicando os participantes a cada etapa do processo de aprovação do PP-3”.

Após a realização dos ajustes pelas áreas técnicas da Petros e aprovação da Diretoria Executiva (DE), o assunto foi submetido ao Conselho Deliberativo (CD), em 13/01/2021, para deliberação, sendo o mesmo aprovado com voto de qualidade, seguindo agora para análise pelas demais instâncias de aprovação.


Nesse momento, gostaríamos de retomar alguns pontos que destacamos em nota emitida nesse blog em 03/09/2020, a qual pode ser acessada pelo link, os quais me levaram a rejeitar a proposição de implantação do PP3:

  • com a implantação do Novo PED, o déficit técnico dos Planos Petros do Sistema Petrobras (PPSP-R e PPSP-NR), principal argumento apresentado para implantação do PP-3, não se faz mais presente;
  • o PP-3 visa atender essencialmente aos interesses da Patrocinadora, o que pode ser facilmente evidenciado pelo fato da associação, mesmo que de forma indireta, entre o PP-3 e o Plano de Demissão Voluntária (PDV), em curso, sendo este, inclusive, prorrogado por diversas vezes nos últimos meses;
  • que a atual gestão da Petros está empenhada em fortalecer a governança corporativa da fundação, com vistas a propiciar, nos médio e longo prazos, o resgate da sua tão abalada imagem, nos últimos anos;
  • o PP-3 abrirá as portas para que milhares de participantes possam deixar a nossa Fundação, o que, no nosso entendimento, vai totalmente na contramão daquilo que é almejado por todos: uma Petros forte e perene;
  • face à necessidade de liquidez para suportar o resgate inicial e a portabilidade dos participantes ativos, após 36 meses, há evidentes riscos de perda de patrimônio nos três primeiros anos daqueles que optarem por migrar para o PP-3;
  • apesar do critério da cota-parte, os assistidos do PPSP-R e PPSP-NR irão “bancar” a saída dos participantes ativos, após 3 anos, ficando reféns do PP-3, com um patrimônio ínfimo e com dificuldades na administração desse patrimônio.

Vale ressaltar que, mesmo considerando relevantes os ajustes solicitados pela PREVIC ao PP-3, estes, em sua essência, não resultaram em mudança significativa nas premissas e regramento do plano inicialmente proposto.

Contudo, a possiblidade de revisitar o tema nos trouxe a oportunidade de aprofundar alguns aspectos relativos aos ativos e a liquidez do PP-3, após migração, sendo esse o ponto que gostaríamos de abordar nesta nota.

O estudo de liquidez apresentado, o qual não sofreu mudança em relação ao estudo inicial, demonstra que o PP-3 terá recursos suficientes para manter a sua liquidez por até 10 anos após o processo de migração. No entretanto, temos que ressaltar, que essa liquidez, após 36 meses, será mantida basicamente por pagamentos da Patrocinadora, os quais deverão perdurar por até 7 anos, a depender do montante total da Reserva de Migração (RM), a qual será constituída pelos Recursos Garantidores e pela Dívida da Patrocinadora, dívida essa que será corrigida pela meta atuarial.


Mesmo sem detalhar os montantes envolvidos, tendo em vista que os estudos realizados têm como data base 31/05/2020, e estes serão recalculados no momento da efetiva migração, apresentamos a seguir a proporcionalidade dos mesmos:

RubricaAno 0Ano 3 (após resgate)
RMI Ativos45%0%
RMI Assistidos55%100%
Dívida Patrocinadora35%67%
Recursos Garantidores 65%33%
       Ativos ilíquidos (*)10%59%
(*) Parcela de ativos sem liquidez imediata em relação ao total de recursos garantidores.

RMI = Reserva de Migração Individual


É possível notar, diante da regra que permitirá a portabilidade aos participantes ativos, que a reserva do PP3, após 3 anos, será constituída por 67% de dívidas da Patrocinadora e 33% por Recursos Garantidores, sendo que desses 59% será de ativos ilíquidos (que não têm liquidez imediata), condição essa que impedirá a busca de melhor rentabilidade para os participantes, basicamente assistidos, que permanecerão no plano.

Portanto, resta evidente que o PP3 pode até não ter um problema de liquidez no curto prazo, mas não há dúvidas de que, no médio prazo, os assistidos remanescentes do plano poderão sofrer uma queda brusca em seus rendimentos face à necessidade de liquidação dos ativos ilíquidos, e necessidade de encontrar alternativas a investimentos de maior rentabilidade e, obviamente, maiores riscos.

Adicionalmente, acrescentamos que, mesmo sendo um requisito legal, a questão da portabilidade apenas aos participantes ativos, acaba por privilegiar esse grupo de participantes, condição essa não permitida no plano de origem, de Benefício Definido (BD), sem que o participante sofra penalidades.

Diante do exposto, eu, José Roberto Kaschel Vieira, ratifiquei meu voto rejeitando a implantação do PP3, pois os fatos aqui narrados representam um risco adicional aos participantes assistidos e, portanto, mesmo que a migração seja de caráter individual, é imprescindível que todos tenham amplo conhecimento do assunto para a tomada da sua decisão.

Transparência

Resolução CNPC Nº 32 DE 04/12/2019 (Publicado no DOU em 22 jan 2020)

Dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas entidades fechadas de previdência complementar na divulgação de informações aos participantes e assistidos dos planos de benefícios de caráter previdenciário que administram. (Processo nº 10134.100088/2018-34).

O Presidente do Conselho Nacional de Previdência Complementar – Segundo Substituto, nos termos da Portaria SE/ME nº 990, de 23 de julho de 2019, e tendo em vista os artigos 5º, XIV e 202, § 1º da Constituição Federal, art. 5º da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, art. 13 da Lei nº 12.154, de 23 de dezembro de 2009, Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, alterada pela Lei nº 13.853, de 08 de julho de 2019 e Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, e os arts. 2º e 4º do Decreto nº 7.123, de 3 de março de 2010, torna público que o Conselho, em sua 34ª Reunião Ordinária, realizada no dia 04 de dezembro de 2019,

Resolve:

Art. 1º As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), na divulgação de informações aos participantes e assistidos de planos de caráter previdenciário que administram, devem observar o disposto nesta Resolução.

§ 1º A EFPC deve observar o disposto nesta Resolução na divulgação de informações a patrocinadores e instituidores, no que couber.

§ 2º Na divulgação de informações, deve ser garantida pela EFPC a proteção de dados pessoais, nos termos da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018.

CAPÍTULO I DAS DIRETRIZES PARA A DIVULGAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Art. 2º Na divulgação de informações a EFPC deve:

I – empregar linguagem clara e acessível a cada público, com tempestividade, regularidade, confiabilidade e segurança;

II – utilizar, sempre que possível, recursos didáticos, como infográficos, tabelas e lâminas informativas;

III – priorizar o uso de plataformas digitais de comunicação, observado o disposto no § 2º do art. 13; e

IV – disponibilizar de forma ativa as informações de interesse dos participantes e assistidos, independentemente de solicitação.

Parágrafo único. A EFPC deve disponibilizar e manter atualizado sítio eletrônico próprio na internet e endereço de correio eletrônico, e, a seu critério, outros canais de comunicação e atendimento, como redes sociais e aplicativos para dispositivos móveis.

CAPÍTULO II DA DISPONIBILIZAÇÃO ATIVA DE INFORMAÇÕES

Art. 3º A disponibilização ativa de informações pela EFPC deve ser realizada em local de fácil acesso em seu sítio eletrônico na internet, pela divulgação, no mínimo, das seguintes informações:

I – certificado no qual estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e a forma de cálculo de benefícios;

II – estatuto da EFPC e regulamento atualizados de cada plano de benefícios;

III – materiais explicativos que descrevam as características gerais de cada plano de benefícios e perfil de investimento, quando houver;

IV – extrato da situação individual do participante;

V – comunicação da síntese e inteiro teor de propostas de alteração de estatuto e regulamento aos participantes e assistidos, disponibilizados com antecedência mínima de trinta dias da remessa do requerimento de alteração ao órgão fiscalizador das atividades das entidades fechadas de previdência complementar, observada regulamentação específica;

VI – comunicação da síntese e inteiro teor das alterações de estatuto e regulamento no prazo de trinta dias, contados da data de publicação da aprovação pelo órgão fiscalizador;

VII – comunicação sobre solicitação de adesão, retirada de patrocínio ou de transferência de gerenciamento de plano de benefício, observada a regulamentação específica;

VIII – relação das companhias nas quais detenham participação relevante no capital social e naquelas que representam parcela significativa na composição total dos recursos, por plano de benefícios administrados pela EFPC, a critério do conselho deliberativo;

IX – relação de prestadores de serviços para a EFPC nas áreas de atuária, contábil, auditoria, jurídica, custódia, publicidade, informática, consultorias ou que prestam serviço de administração de carteiras de valores mobiliários e de consultoria, dentre outros;

X – relação de planos de benefícios em processo de administração especial, liquidação, encerrados, em processo de transferência de gerenciamento ou retirada de patrocínio, até o dia 30 de abril do exercício subsequente ao que se referir;

XI – extrato das atas das reuniões do conselho deliberativo e do conselho fiscal, observado o disposto no art. 12;

XII – extrato do Termo de Ajustamento de Conduta celebrado com o órgão fiscalizador, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de publicação;

XIII – relatório anual de informações;

XIV – informações contábeis, atuariais, de população e de auditoria de encaminhamento obrigatório ao órgão fiscalizador, no prazo de trinta dias, contados da data prevista para envio;

XV – demonstrativo de investimentos; e

XVI – ações de educação financeira, previdenciária e tributária promovidas pela EFPC.

Parágrafo único. As informações de que trata este artigo devem ser disponibilizadas sem restrição de acesso no sítio eletrônico na internet da EFPC, ressalvadas as informações de que tratam os incisos IV, V, VII, VIII, IX, X e XI, que devem ser disponibilizadas de forma restrita aos participantes e assistidos, e, no que couber, aos patrocinadores e instituidores.
Situação individual do participante ou assistido no plano de benefícios

Art. 4º A EFPC deve disponibilizar em seu sítio na internet, em local de acesso restrito, ou por meio de outro canal de comunicação, observado o disposto § 2º do art. 13, extrato mensal da situação individual do participante ou assistido no plano de benefícios que possibilite o acompanhamento da sua evolução no plano de benefícios, que deve conter, no mínimo:

I – nome do plano de benefícios, com respectivo Cadastro Nacional de Planos de Benefícios, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica quando houver;

II – nome do participante ou assistido, seus beneficiários e dependentes, esses últimos acompanhados da data da atualização cadastral mais recente feita pelo participante;

III – informações para encaminhamento de solicitação de informação por participante ou assistido, nos termos do art. 9º desta Resolução;

IV – no caso de plano de contribuição definida ou de contribuição variável, em fase de contribuição:

a) evolução do saldo de contas individualizado, com a discriminação das parcelas constituídas pelas contribuições do participante, patrocinador ou terceiros, bem como o saldo de portabilidade, quando houver, que possibilite o acompanhamento da rentabilidade dos recursos, e, para planos com terceirização de risco, o valor do capital segurado do participante; e

b) projeções dos valores dos benefícios teóricos previstos em seus planos de benefícios, permanentemente adequadas às respectivas premissas atuariais e financeiras, com base no saldo de conta acumulado e nas contribuições a serem realizadas pelo participante, patrocinador e instituidor, quando houver;

V – contribuições efetuadas pelo participante, patrocinador ou instituidor, quando houver, com especificações de parcelas eventualmente destinadas a benefício de risco e a custeio de despesas administrativas; e

VI – demonstrativos de pagamentos de benefícios efetuados para os assistidos, incluindo valores recebidos e descontados.

§ 1º As informações referentes a valores de que trata este artigo devem ser atualizadas utilizando-se como referência, no mínimo, o mês anterior ao da disponibilização da informação, ressalvada a impossibilidade operacional e circunstancial, a qual deve ser justificada.

§ 2º No caso de planos cuja gestão tenha sido transferida de uma EFPC para outra, as informações disponibilizadas ao participante de que trata este artigo devem observar, no mínimo, o período em que o plano esteve sob a gestão da EFPC atual.

§ 3º Caso a EFPC se encontre sob liquidação extrajudicial ou em processo de encerramento, as informações de que trata este artigo podem ser adaptadas considerando a sua situação.

§ 4º Anualmente, a EFPC deve disponibilizar ao participante ou assistido o demonstrativo de rendimentos anual para imposto de renda, respeitado o prazo previsto na legislação.

§ 5º Para fins do disposto na alínea “b” do inciso IV do caput deste artigo:

I – para os planos que não preveem rendas em função de tábuas biométricas, devem ser informados os parâmetros utilizados e o tempo previsto de exaurimento da renda; e

II – no caso de participante em gozo de benefícios, cujo valor seja calculado com base em saldo de conta acumulado, deve ser apresentado o tempo previsto de exaurimento da renda.

§ 6º Na informação de que trata a alínea “b” do inciso IV do caput deste artigo, deve constar expressamente que a projeção não representa promessa de rentabilidade ou garantia de nível de benefícios, devendo ser disponibilizada a metodologia utilizada para efetuar as projeções Relatório Anual de Informações (RAI)

Art. 5º O RAI deve conter informações gerais e relevantes, apresentadas de forma clara e precisa, sobre o funcionamento da EFPC e sobre a situação de cada plano de benefícios, contendo, no mínimo, informações sobre:

I – alterações em estatuto e regulamento, aprovadas junto ao órgão fiscalizador no ano anterior a sua publicação;

II – quantidade de participantes e assistidos, patrocinadores e instituidores, montante das contribuições recebidas e benefícios pagos;

III – a situação atuarial, dispondo, quando for o caso, sobre superávit ou déficit do plano, assim como sobre suas causas e eventual obrigação de destinação de reserva especial ou equacionamento de déficit;

IV – a gestão dos investimentos dos planos de benefícios e de perfil de investimento, quando houver, seja própria, terceirizada ou mista, durante o exercício a que se refere o relatório, relacionada à política de investimento estabelecida para o mesmo período;

V – os limites aprovados na política de investimento para o plano de benefícios e por perfil de investimento, quando houver, adotada para o exercício subsequente a que se refere o relatório;

VI – as despesas administrativas e com investimentos, que devem abranger, no mínimo, os gastos referentes à gestão de carteiras, custódia, corretagens pagas, acompanhamento da política de investimentos, consultorias, honorários advocatícios, auditorias, avaliações atuariais e outras despesas relevantes por planos de benefícios;

VII – composição e diversificação das aplicações contendo, no mínimo, as seguintes informações sobre investimentos por:

a) tipo de gestão;

b) tipo de aplicação na carteira própria da EFPC;

c) segmento de aplicação; e

d) informações sobre ativos em carteira própria e em fundos de investimentos exclusivos da EFPC em default, a provisão estimada e a representatividade em relação a carteira de ativos por plano;

VIII – a utilização dos aspectos de sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos na análise de riscos efetuada pela E F P C, quando houver; e

IX – demais informações consideradas relevantes pela EFPC ocorridas no exercício a que se refere o relatório.

§ 1º A EFPC deve disponibilizar o RAI até o dia 30 de abril do exercício subsequente ao que se referir.

§ 2º A EFPC deve manter disponíveis em seu sítio eletrônico na internet, sem restrição de acesso, no mínimo, os 5 (cinco) últimos RAI publicados com base nesta Resolução.

Demonstrativos de Investimentos dos Planos

Art. 6º O demonstrativo de investimentos é composto por todos os ativos pertencentes a carteira própria, carteira administrada, fundos de investimento e fundos de investimento em cotas de fundos de investimento dos quais a EFPC seja direta ou indiretamente cotista.

§ 1º A EFPC deve disponibilizar o demonstrativos de investimentos, no mínimo, no seguinte prazo:

I – até 31 de dezembro de cada ano, com informações referentes à posição mensal dos meses de janeiro a junho do mesmo exercício; e

II – até 30 de junho de cada ano, com informações referentes à posição mensal dos meses de julho a dezembro do ano imediatamente anterior.

§ 2º Para fins do disposto neste artigo, cada ativo pertencente à carteira própria e aos fundos de investimentos exclusivos da EFPC deve ser especificado com, no mínimo, tipo de ativo, segmento de aplicação, bem como a quantidade e valor.

§ 3º A EFPC deve manter disponíveis em seu sítio eletrônico na internet, sem restrição de acesso, no mínimo, os dez últimos demonstrativos de investimentos publicados com base nesta Resolução.

Perfis de investimento

Art. 7º A EFPC que oferecer a possibilidade de optar por distintos perfis de investimento no plano de benefícios ao qual o participante ou assistido estiver vinculado deve:

I – manter em seu sítio na internet a relação descritiva dos perfis de investimento, incluindo informações acerca dos riscos inerentes a cada um, ressaltando-se que resultados passados não garantem rentabilidade futura; e

II – incluir no RAI a rentabilidade de cada perfil de investimento, com análise dos respectivos resultados.

Simulador de benefícios

Art. 8º A EFPC deve disponibilizar simulador para planos de benefícios nas modalidades contribuição definida e contribuição variável, por mídia interativa, com projeções dos valores dos benefícios previstos em seus planos, permanentemente adequado às respectivas premissas atuariais e financeiras.

§ 1º O simulador não pode gerar expectativas irreais por parte dos participantes, devendo, no mínimo, constar expressamente que a simulação não representa promessa de rentabilidade ou garantia de nível de benefícios.

§ 2º A EFPC deve disponibilizar a metodologia utilizada para efetuar as projeções de que trata o caput.

CAPÍTULO III DA SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÃO POR PARTICIPANTE E ASSISTIDO

Art. 9º A EFPC deve disponibilizar informações no seu sítio eletrônico, em local de destaque os procedimentos necessários para o encaminhamento de solicitações de acesso à informação por participante ou assistido.

Parágrafo único. Para os fins do disposto no caput, a EFPC deve disponibilizar ainda os procedimentos para solicitação de reconsideração e para encaminhamento ao órgão fiscalizador, em caso de negativa de acesso à informação pela entidade.

Art. 10. A informação solicitada por participante ou assistido deve ser respondida pela EFPC no prazo máximo de trinta dias contados a partir da data da formalização da solicitação.

Art. 11. As informações contidas no demonstrativo de investimentos devem ser disponibilizadas ao participante ou assistido, quando solicitado, observado o prazo estabelecido no art. 10 desta Resolução.

§ 1º As operações de investimento em curso que possam vir a ser prejudicadas pela sua divulgação, quando solicitado por participante ou assistido, devem ser disponibilizadas em até cento e oitenta dias da efetivação da operação.

§ 2º Excepcionalmente, as informações de que tratam o caput relativas ao fechamento do exercício, quando solicitadas, devem ser disponibilizadas após o prazo do envio regulamentar das demonstrações contábeis e do demonstrativo de investimento ao órgão fiscalizador, considerando o disposto no § 1º deste artigo.

§ 3º Prevalecerá o prazo estabelecido por acordo contratual para a disponibilização das informações de que trata o § 1º deste artigo, quando houver.

Art. 12. A EFPC não pode negar o acesso de participante e assistido à informação solicitada, ressalvado o dever de sigilo legal ou quando se tratar de solicitação de informação:

I – relacionada à intimidade e privacidade de terceiro;

II – que possa prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações, procedimento de arbitragem ou ações judiciais em que a EFPC seja parte, observado o disposto no art. 11 desta Resolução;

III – relacionada ao acesso a documento preparatório, ou à informação nele contida, que tenha sido utilizado como fundamento para tomada de decisão, sem a respectiva decisão;

IV – genérica, que não especifique um documento, um dado ou uma informação, produzidos pela EFPC;

V – que exijam trabalhos adicionais de análise, interpretação ou consolidação de dados e informações, ou serviço de produção ou tratamento de dados que não seja de competência da entidade; ou

VI – desproporcional ou desarrazoada.

§ 1º Não pode ser negada ao participante ou assistido a solicitação de informações sobre alterações de estatuto e de regulamento, o valor de resgate e de portabilidade, bem como de outras referentes a sua situação individual no plano de benefícios, observado o disposto no art. 4º e o prazo estabelecido no art. 10 desta Resolução.

§ 2º A disposição estabelecida no caput deste artigo não exime a EFPC de prestar informações previstas em leis, atos normativos, estatutos da EFPC e regulamentos de planos de benefícios, ou determinadas pelo órgão fiscalizador.

§ 3º A resposta com a negativa de acesso à informação deve ser encaminhada pela EFPC no prazo estabelecido no art. 10 desta Resolução, e conter:

I – motivação, com a menção expressa do inciso do caput deste artigo que fundamentou a negativa; e

II – informações sobre a possibilidade e prazo, não inferior a trinta dias, para a solicitação de reconsideração à EFPC.

§ 4º A solicitação de reconsideração deve ser respondida no prazo estabelecido no art. 10 desta Resolução e observar o disposto no inciso I do § 3º deste artigo, em caso de manutenção de negativa.

CAPÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 13. As EFPC ficam dispensadas de encaminhar, por meio impresso, as informações de que trata esta Resolução.

§ 1º Para fins do disposto no caput, os participantes, assistidos, patrocinador ou instituidor devem ser comunicados, por meio da forma tradicionalmente utilizada pela EFPC, em caso de alteração da forma de disponibilização de informação.

§ 2º A EFPC, excepcionalmente, deve encaminhar informações de que trata esta Resolução por meio impresso em caso de impossibilidade de acesso digital por parte do participante ou assistido, quando solicitado.

Art. 14. A disponibilização do sítio eletrônico próprio na internet de que trata o parágrafo único do art. 2º desta Resolução será facultativa no caso de EFPC que se encontrar sob liquidação extrajudicial ou em processo de encerramento.

Parágrafo único. A EFPC de que trata o caput deve disponibilizar as informações de que trata esta Resolução por meio de outro canal de comunicação.

Art. 15. A EFPC deve disponibilizar no seu sítio eletrônico na internet atalho para o sítio eletrônico do órgão fiscalizador, em formato padronizado disponibilizado pelo órgão fiscalizador.

Art. 16. A divulgação das informações de que trata esta Resolução deve ser comprovada pela EFPC, sempre que solicitada pelo órgão fiscalizador.

Art. 17. Fica o órgão fiscalizador autorizado a editar instruções complementares que se fizerem necessárias à execução do disposto nesta Resolução, bem como determinar remessas periódicas de quaisquer informações relativas às EFPC e aos planos de benefícios por elas administrados.

Art. 18. As solicitações e recebimentos de informação podem ser realizados por pessoa no exercício do direito de representação de participante ou assistido.

Art. 19. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, devendo as EFPC se adequarem às novas regras até 31 de dezembro de 2020.

Art. 20. Ficam revogadas:

I – a Resolução CGPC nº 23, de 06 de dezembro de 2006, observado o disposto no art. 19 desta Resolução;

II – a Resolução CGPC nº 07, de 04 de dezembro de 2003;

III – a Resolução CNPC nº 02, de 3 de março de 2011 e

IV – a Resolução CNPC nº 04, de 18 de abril de 2011.

PAULO FONTOURA VALLE

(todos os destaques em negrito, no texto, são nossos)

Retrospectiva 2020

Prezados leitores, 

Primeiramente, queremos agradecer a Deus por nos permitir mais um ano de vida. Apesar de 2020 ter sido um ano difícil, atípico e desafiador, colhemos algumas vitórias sendo a principal delas a redução do valor pago a título de contribuição extraordinária dos Planos Petros do Sistema Petrobras ou PPSP’s, como são mais conhecidos, a partir de junho de 2020. No entretanto, sabemos que essa foi uma solução atenuante, que promoveu um pequeno alívio em nossas tão combalidas finanças, provocados por erros cometidos por gestores num passado recente. O nosso olhar é voltado ao futuro, mas as nossas ações, no presente, devem se pautar pela defesa intransigente dos nossos direitos e pelos deveres que temos, frente a mais de 140 mil participantes, ao assumir os papéis de conselheiros Deliberativo e Fiscal na segunda maior Entidade Fechada de Previdência Complementar da América Latina, a cinquentenária Petros, aniversariante em 01 de julho de 2020. 

Sem o apoio fundamental de todos vocês, que nos elegeram através do voto de confiança na eleição de 2019, ou mesmo daqueles que democraticamente optaram por outros nomes, nós trabalhamos, nos Conselhos, em prol da nossa entidade. Não existe situação, nem oposição no papel de um conselheiro. Todos nós, indicados ou eleitos, trabalhamos a favor da perenidade da fundação. 

Que toda essa confiança depositada em nós, desde 2019, e mantida em 2020, seja convertida em mais confiança, alegrias, saúde, amor e prosperidade neste ano que se inicia. Nosso sonho de transformar a Petros num exemplo de entidade, que respeita e zela pelos interesses dos seus participantes, não se encerrará no dia 25 de novembro de 2023, quando termina os nossos mandatos. Até lá, temos muitas lutas a serem travadas e a primordial, para todos nós, será a eliminação definitiva da contribuição extraordinária, iniciada em março de 2018. 

Juntos sempre seremos fortes! 

Que Deus abençoe abundantemente as suas vidas e as de suas famílias, em 2021 e em todos os outros anos que virão!!!!

José Roberto, Herval, Tereza e Coy. 
Conselheiros Deliberativo e Fiscal da Petros